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SOLENIDADE DE CRISTO REI DO UNIVERSO. QUAL O SENTIDO DA REALEZA DE CRISTO?


“O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A Ele a glória e poder através dos séculos” (Ap 5,12; 1,6).

Estas palavras da Antífona de Entrada da Solenidade deste domingo dão o sentido profundo desta celebração de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.



Uma indagação que a Solenidade pode suscitar em nosso espírito é esta: Jesus é Rei? Como pode ser Rei, num mundo paganizado, num mundo pós-cristão, num mundo que esqueceu Deus, num mundo que ridiculariza a Santa Igreja Católica, nossa Mãe e Mestra, por pregar o Evangelho e suas exigências? Pelo menos, por Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo o mundo não mais se interessa. Como, então, Jesus pode ser Rei de um mundo que não aceita o seu reinado? E, no entanto, hoje, no último domingo deste ano litúrgico de 2021, ao final de mais um ciclo de tempo, voltamo-nos para o Cristo, e o proclamamos Rei: Rei de nossas vidas, Rei da história, Rei do cosmos, Rei do universo. A Igreja canta, neste dia, na sua oração: “Cristo Rei, sois dos séculos Príncipe, Soberano e Senhor das nações! Ó Juiz, só a Vós é devido julgar mentes, julgar corações”.



O texto do Apocalipse citado no início desta meditação dá o sentido da realeza de Jesus: Ele é o Cordeiro que foi imolado. É Rei não porque é prepotente, não porque manda em tudo, até suprimir nossa liberdade e nossa consciência.



É Rei porque nos ama, porque se fez um de nós, porque nos lavou os pés, porque por nós sofreu, morreu e ressuscitou, Rei porque nos dá a vida. Ele é aquele Filho de Homem da primeira leitura: “Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”. Com efeito, o reinado de Cristo não tem as características dos reinados deste mundo:



Ele é Rei não porque se distancia de nós, mas, precisamente porque se fez “Filho do homem”, solidário conosco em tudo, exceto no pecado. Ele experimentou nossas pobrezas e limitações; Ele empoeirou os pés em nossas estradas, derramou o nosso suor, angustiou-se com nossas angústias e experimentou tantos dos nossos medos. Ele morreu como nós, de morte humana, igual à nossa. Ele reina pela solidariedade conosco; Ele é o Deus Conosco, o Emanuel.



Ele é Rei porque nos serviu: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). Serviu com toda a sua existência, serviu dando sempre, e em tudo, a vida por nós, por amor de nós. Ele reina pelo amor.



Ele é Rei porque tudo foi criado pelo Pai “através dele e para ele” (Cl 1,15); tudo caminha para Ele e, nEle, tudo aparecerá na sua verdade: “Quem é da verdade, ouve a minha voz”. É nEle que o mundo será julgado. Os areópagos deste mundo, a televisão, as mídias sociais, as ideologias perversas, os pretensos sábios aos seus próprios olhos, podem impor o que quiserem, ensinar as supostas “verdades” que melhor lhes parecerem, mas, ao final, somente o que passar pelo teste de Cruz do Senhor subsistirá. O restante não passará de palha seca e estéril, que há de ser devorada pelo fogo abrasador de Deus. Ele reina pela Verdade. Ele é a Verdade.



Ele é Rei porque é o único que pode garantir nossa vida; pode fazer-nos felizes agora e pode nos dar a vitória sobre a morte por toda a eternidade: “Jesus Cristo é a testemunha fiel e verdadeira, o primogênito dentre os mortos, que em tudo tem a primazia, o soberano dos reis da terra”. Ele reina pela vida.



Sim, Jesus é Rei. No Santo Evangelho que acabamos de ouvir Nosso Senhor declara: “Eu sou Rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz!” Mas seu Reino nada tem a ver com o triunfalismo e com a soberba dos reinos humanos – de direita ou de esquerda! Não nos esqueçamos que aquele que entrou em Jerusalém como Rei, veio num jumentinho, símbolo de mansidão e serviço. Como coroa teve os espinhos; como cetro, uma cana; como manto, um farrapo escarlate; como trono, a Cruz, como bebida, uma esponja com vinagre. Se quisermos compreender a realeza de Cristo, é necessário não esquecer isso. A marca e o critério da realeza de Cristo é e será sempre a Cruz!



Hoje, assistimos, impressionados, a paganização do mundo, e nos perguntamos: onde está a realeza do Cristo? Onde sempre esteve: na Cruz: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus súditos haveriam de lutar para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”. O Reino de Jesus não é segundo as categorias deste mundo, não se impõe por guardas, pela força, pelas armas: meu Reino não é daqui! É um Reino que vem do mundo do amor e da misericórdia de Deus, não da insensatez altiva dos homens.



E, no entanto, o Reino está no mundo: “Cumpriu-se o tempo; o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15); “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou para vós” (Lc 11,20). O Reino que Jesus trouxe deve expandir-se no mundo! Onde ele está? Onde estiverem o amor, a verdade, a piedade, a justiça, a solidariedade, a paz, tudo como dons que nos vem diretamente da plenitude de Cristo. O Reino de Cristo deve penetrar todos os âmbitos de nossa vida pessoal e social: a economia, a política, as artes, os meios de comunicação, o mundo da educação, do entretenimento, as instituições do Estado, as relações entre pessoas e povos, a nossa vida afetiva, a nossa moral pessoal e comunitária.



Celebrar Jesus Cristo Rei do Universo é proclamar diante do mundo que somente Cristo é o sentido último de tudo e de todos, que somente Cristo é definitivo e absoluto. Proclamá-lo Rei é dizer que não nos submetemos a nada nem a ninguém, a não ser ao Cristo; é afirmar que tudo o mais é relativo e menos importante quando confrontado com o único necessário, Cristo e o Reino dos Céus que veio nos trazer. Num mundo que deseja e que milita para esvaziar o Evangelho, tornando Jesus alguém inofensivo e insípido, um deus de barro, caricato, vazio e sem utilidade, proclamar Jesus como Rei é rejeitar o projeto pagão do mundo atual e proclamar:


“O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos”. Amém (Ap 5,12; 1,6).

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