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Maria, a Theotókos, Mãe de Deus.


No primeiro dia de cada ano, a Igreja Católica celebra Maria como “a Mãe de Deus”. Os cristãos invocam Maria desta forma pelo menos desde a época de Orígenes, no início do século III.



Maria foi oficialmente honrada como Mãe de Deus em 431, no Concílio de Éfeso, que ratificou a tradição já existente de chamá-la de Theotókos, um termo grego que significa “a portadora de Deus” ou “Aquela que deu à luz a Deus”. Não significa que a Igreja alguma vez tenha ensinado que Maria é maior que Deus, que Maria é mais antiga do que Deus, ou que Maria de alguma forma deu à luz a natureza divina de Deus. Significa simplesmente que Maria, sendo a Mãe de Jesus, é a Mãe do Filho de Deus.



No par. 466, o Catecismo da Igreja Católica explica o que foi proclamado em Éfeso: Maria se tornou de verdade Mãe de Deus pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio - "Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne".



No part. 495, o Catecismo acrescenta:



Denominada nos Evangelhos "a Mãe de Jesus" (João 2,1;19,25[a72]), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como "a Mãe de meu Senhor", por Isabel (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu do Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos).



Na verdade, o título Theotókos é tanto uma afirmação cristológica quanto mariológica. Ao insistir na maternidade divina de Maria, o Concílio de Éfeso insistia na plena humanidade do seu Filho, bem como na sua plena divindade. Ambos os lados do mistério são expressos aqui. Por um lado, a maternidade de Maria inclui tudo o que normalmente inclui a maternidade natural: ela concebeu e deu à luz um homem de carne e osso, Jesus de Nazaré, que viveu e morreu na nossa história humana. Por outro lado, a maternidade de Maria, como a de todas as mães, implica uma relação com uma pessoa e não simplesmente com uma natureza. Não é suficiente, então, afirmar que Maria é a mãe da natureza humana de Jesus. A ligação entre pessoas, entre pais e filhos, é demasiado essencial para ser deixada de lado. Mas é aqui que as coisas se tornam maravilhosas: Jesus não é uma pessoa humana, mas uma Pessoa divina! Ele é Deus, o Filho gerado pelo Pai antes de todos os tempos. A relação pessoa a pessoa entre Maria e Jesus é a de uma Mãe humana e de um Filho divino. Isto é o que o título Theotokos capta em poucas palavras.



O lado mariológico do mistério não é menos importante. O título Theotókos é certamente a maior honra imaginável para qualquer uma das criaturas de Deus, sem cair na blasfêmia. É a única verdade que explica toda a vida e vocação de Maria. É o eixo em torno do qual giram e adquirem sentido todas as outras doutrinas marianas. Ela é a única pessoa escolhida por Deus para a missão da maternidade divina. Todos os outros fiéis – sem exceção – são adotados pela graça para se tornarem irmãos ou irmãs mais novos de Jesus, o “primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8, 29). Simplificando, a maternidade divina de Maria é a maior das “grandes coisas” que Aquele que é poderoso fez por ela (Lc 1,49), como ela proclama no Magnificat.



Tendo em vista estes mistérios maravilhosos, juntemo-nos hoje a toda a Igreja: Bem-aventurada, Theotókos, rogai por nós!

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