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Como o corpo sem o sopro da vida é morto, assim também a fé sem obras é morta. Tiago menor. Apóstolo do Senhor.


Começamos, com esta postagem, uma breve série sobre a vida dos apóstolos, a partir das catequeses do Papa Bento XVI nas Audiências Gerais das quartas-feiras, entre 15/3/2006 e 14/2/2007, disponíveis no site do Vaticano. No dia em que a Igreja celebra cada apóstolo, faremos a publicação sobre ele.



Em 3 de maio, a Igreja celebra Tiago, o filho de Alfeu. Jesus chamou dois apóstolos com o nome de Tiago.



O nome Tiago é tradução do grego Iákobos, Jacó em hebraico, como o patriarca e pai das 12 tribos de Israel. Muitas vezes este Tiago foi identificado com um outro Tiago chamado o Jovem, filho de Maria, possivelmente Maria de Cléofas, que, segundo o Quarto Evangelho, estava aos pés da cruz com a Mãe de Jesus.



Tiago era de Nazaré, ocasionalmente chamado de irmão de Jesus, segundo o costume semítico-judaico, que não tinha uma palavra específica para primo ou outros tipos de parentesco.



O Livro dos Atos dos Apóstolos destaca o papel que Tiago Menor exerceu na Igreja de Jerusalém, no primeiro Concílio apostólico, lá celebrado após a morte de Tiago Maior, o irmão de João.



Tiago Menor declarou, com os demais apóstolos, que os pagãos podiam ser recebidos na Igreja sem ter de primeiro submeter-se à circuncisão. Foi responsável, com Pedro, por integrar as dimensões judaica e gentia do cristianismo, sem submeter os pagãos à obrigação de atender a todas as normas da Lei cerimonial de Moisés, não lhes sendo necessário perder sua identidade sociológica.



São Paulo, que o conhecera ao visitar Jerusalém, atribuiu a Tiago uma aparição específica do Ressuscitado, e também o qualificou como coluna da Igreja de Jerusalém, assim como Pedro. Os judeus-cristãos consideravam Tiago um ponto de referência.



A decisão do Concílio de Jerusalém, da qual Tiago, como vimos, participou ativamente, deu origem a uma prática de estima e respeito mútuos, que visava a salvaguardar o que era característico de cada uma das partes, pagãos e judeus.



A informação mais antiga sobre a morte de Tiago vem do historiador judeu Flávio Josefo, nas suas "Antiguidades Judaicas", redigidas em Roma, no fim do primeiro século. Ele diz que a morte de Tiago foi decidida pela iniciativa ilegítima do Sumo Sacerdote Anano, filho de Anás. Aproveitando o intervalo entre a saída do procurador romano Festo e a chegada de Albino, seu sucessor, Anano mandou apedrejar Tiago Menor.



A Tiago Menor é atribuída a Carta que leva seu nome, em que ele é apresentado como Servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo. É a primeira entre as chamadas Epístolas Católicas, isto é, as que não eram destinadas a uma só Igreja particular, como Roma, Éfeso, Tessalônica, mas a muitas igrejas.



Na Carta, ele insiste muito na necessidade de não reduzir a fé a uma declaração verbal, mas a expressá-la na prática, pelas boas ações. Convida a ser constante, perseverante nas provações, a rezar com confiança para obter de Deus o dom da sabedoria, pelo qual torna-se possível compreender os verdadeiros valores da vida, que não estão nas riquezas transitórias, mas na capacidade de dividir as posses com os pobres e necessitados. A fé deve realizar-se pelo amor ao próximo, especialmente na dedicação aos pobres. É dele a famosa frase:


Como o corpo sem o sopro da vida é morto, assim também a fé sem obras é morta.


Às vezes, essa afirmação de São Tiago foi considerada em oposição à afirmação de Paulo, de que somos justificados por Deus graças à fé. Ocorre que os apóstolos estão falando de perspectivas diferentes, que se completam.



São Paulo se opõe ao orgulho do homem, que pensa que não precisa do amor de Deus, que, sabemos, vem sempre antes da fé. Paulo opõe-se à autojustificação do ser humano, sem a graça. De fato, a graça nos é dada, não é merecida por nós.



Tiago, por sua vez, fala das obras como fruto normal da fé. Toda árvore boa produz bons frutos, ensinara Jesus. É o que nos diz Tiago.



Finalmente, a Carta exorta a que nos abandonemos nas mãos de Deus em tudo o que fizermos, pronunciando sempre as palavras:


Se o Senhor quiser (Tg 4, 15).

Ensina-nos que não devemos e não podemos planejar autonomamente a nossa vida, mas sempre dar espaço para a vontade de Deus, que conhece o que é verdadeiramente bom para cada um.



Tiago é, portanto, um mestre sempre atual de vida.



São Tiago, rogai por nós.



Deus abençoe você!

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