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TU ÉS PEDRO (II)

Atualizado: 21 de jul. de 2021






















Em uma postagem anterior, procuramos demonstrar como o primado de Pedro se apoia na Escritura.


Agora vamos recorrer ao texto de Mateus, para entender o conteúdo desse primado. Mateus narra que Jesus levou os apóstolos para Cesareia, uma localidade longe de Jerusalém, a três dias de caminhada mais ou menos, na fronteira com os povos pagãos.



Em Cesareia de Felipe, existe uma pedra enorme, de uns 500 m de largura por 50 de altura: a base do monte Hermon. Anteriormente, a cidade se chamava Panias, em homenagem ao deus Pan. Em frente dessa pedra gigantesca havia um templo, o santuário de Pan, meio carneiro, meio homem, que tocava flauta, considerado deus de muitas coisas, e, principalmente, de ovelhas e pastores: o falso deus de ovelhas e pastores.



Então Jesus disse (Mt 16, 18): “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja e os portões do inferno não prevalecerão sobre ela”.



Lá estava o que se acreditava ser a porta do Hades, dos infernos, junto àquele templo dedicado a Pan, aonde se ia para adorar o Imperador romano, César, que era considerado pelos romanos “filho de Deus”, além de rei. Acendia-se incenso e jogava-se um sacrifício vivo dentro da caverna. Ali estava um templo falso, de uma religião falsa, com um deus falso, que era adorado como senhor. Agora lá está Jesus, o Deus verdadeiro, o pastor verdadeiro, escolhendo o Seu representante, que Ele designa para cuidar do Seu rebanho.


Tendo interrogado os apóstolos sobre quem pensam que Ele seja. Pedro responde, e o Senhor proclama:



Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelaram, mas o Pai que está nos Céus. E Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha a Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus. Tudo o que ligares na terra será ligado no Céus. Tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus (Mt 16,17-19).


São as próprias palavras da “promessa”, que nada poderá destruir. Nem mesmo as fraquezas do Apóstolo e dos que viriam a sucedê-lo.



De fato, sabemos que Simão recebe o nome novo de Pedro, Cefas, a “Rocha”, mas não pelo seu próprio caráter: impetuoso, volúvel. Vai se tornar “rocha” por graça, e não pela carne e pelo sangue. Jesus lhe muda o nome, apontando desde agora para o próprio mistério da Igreja, em cuja base coloca o pescador da Galileia. Nesse simbolismo, já se contém a teologia sobre a missão de Pedro, o significado universal do primado. Simão é designado para congregar todo o povo de Deus, para ligar e desligar, muito além de sua existência no tempo. É essa “rocha” que vai perpetuar a Igreja e garantir-lhe a unidade na fé.



A par desse simbolismo da “rocha”, completa-se o entendimento sobre o primado com o simbolismo das “chaves”.



É conhecido, na Escritura, o poder-serviço que representam as chaves. Isaías 22,20, declara:



Chamarei o meu servo Eliacim, filho de Helcias [...] Porei a chave da Casa de Davi sobre seus ombros. Ele abrirá e não haverá quem feche. Fechará e não haverá quem abra.


O judeu da época, ouvindo Jesus falar a Pedro nas chaves, logo pensaria no rei, que tinha um representante (Isaías 22, 22). Esse representante recebia chaves, que levava nos ombros. Eram as chaves do tesouro real e dos portões do reino, que ele detinha com um domínio exclusivo. Eliacim era o segundo no comando do reino, recebera uma túnica especial e um cargo especial. Se o representante do rei morresse, alguém seria designado para substituí-lo. Se o rei morresse, o novo rei nomearia outro para o cargo, às vezes dentro da mesma família. Isto era chamado sucessão dinástica em Israel. Eliacim, portanto, era uma prefiguração do papa.



Quando Jesus disse a Pedro que lhe daria as chaves do reino, os apóstolos entenderam que Jesus era o rei, Aquele que, como o anjo dissera a Maria, herdaria o trono de Seu pai Davi. Aliás, na Ascensão, os apóstolos perguntaram a Jesus se era naquele momento que iria restaurar o reino de Israel, o que bem mostra o entendimento deles.



Com as chaves recebidas de Jesus, Pedro recebe a missão de guarda e vigia, à qual se junta a responsabilidade de “ligar” e “desligar”. Pedro deverá decidir quanto à doutrina e à disciplina. É o Senhor quem lhe dá esse poder: como serviço, não arbitrariamente, mas segundo a Sua própria vontade, manifestada aos apóstolos e tornada muito clara em Pentecostes. O que o Senhor ensinou, fez e determinou vai ser a regra. Pedro não é dono, é depositário, testemunha, do que recebeu, anunciador do Caminho, da Verdade e da Vida, vigia e pastor. Relembre-se que até Paulo retornou a Jerusalém com o fim específico de “ver Pedro” e conferir a palavra que estava ensinando, para “não correr em vão”.



É evidente que, mortas as testemunhas diretas, os apóstolos, a Palavra e a Vida que o Senhor trouxera não poderiam desaparecer. Então, não podiam se extinguir os instrumentos que garantiam a pureza da fé, nem as estruturas pelas quais ela era propagada.


A ordem do Senhor era imperativa: “Ide e evangelizai”. “Batizai a todos os povos”. “Fazei isto em memória de Mim”. E foi assegurada com poder: “Quem vos ouve a Mim ouve”. “Os que vós perdoardes serão perdoados”. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá a vida eterna”.



Por isso, assistidos pela revelação que haviam recebido de Jesus e pelo Espírito Santo, os apóstolos providenciaram na sucessão em seu ministério. Procederam à sucessão de Judas por Matias. E um outro deveria suceder aquele que garantia a Verdade, a Vida e a Unidade, para que não fossem deturpadas, ou canceladas. O Senhor viera para todos os povos. A evangelização era a missão da Igreja até o fim dos tempos.



Quando as heresias começaram a surgir, ameaçando a Igreja interior e exteriormente, tentando implantar uma “livre interpretação” da Palavra e da doutrina, instalando confusão, os cristãos fiéis, alertados pelos seus pastores, entenderam que as referências seguras só poderiam ser encontradas nas sedes apostólicas. E, entre todas, naquela que as unia em uma só Igreja, a Sé da Unidade na caridade, a Sé de Pedro, a “rocha”. Lá onde se depositavam as “chaves”. Somente ela poderia constituir a norma, que manteria a Verdade. Fora Pedro quem recebera a responsabilidade de “confirmar os irmãos”. Em Roma, Pedro se estabelecera (depois de Antioquia e Alexandria), e em Roma derramara o sangue pela fé. Aos sucessores de Pedro, em Roma, é que se comunicava o primado. E assim se acreditou e praticou até os dias de hoje.



Concluo com um fato, uma intervenção de Leão Magno, 44º sucessor de Pedro (440-461), no Concílio de Calcedônia (451). Debatia-se se Jesus era verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Leão não podia deixar Roma, razão por que enviou delegados a Calcedônia, com uma carta, onde explicava a doutrina segundo a qual Jesus era inteiramente homem e inteiramente Deus, na única Pessoa do Verbo, sendo esta a verdadeira interpretação “daquilo que fora recebido dos apóstolos”. A reação dos Padres daquele Concílio demonstra como a certeza da sucessão de Pedro em Roma era induvidosa. Examinada a doutrina exposta na carta, aclamaram-na, exclamando: “Pedro falou pela boca de Leão!”.


O primado, portanto, está na Escritura e na Tradição. É do bispo de Roma, a Igreja que Pedro fundou, em que se estabeleceu e onde testemunhou a fé pelo martírio, fixando o lugar da sucessão.

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