Como estamos vivendo a Santa Missa?
- Rejane Bins

- há 9 horas
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Jo 6, 51
“Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão, viverá eternamente. E o pão que eu hei de dar é a minha carne para a salvação do mundo.”
Hoje há ideias muito presentes sobre a Santa Missa, como a de que é uma ceia ou um banquete, ou mesmo a ideia da presença real de Jesus. Há, contudo, um mistério central que tem sido esquecido: A Eucaristia não é pão, é a “minha carne”, diz Jesus, “dada para a vida do mundo”.
Quando a Santa Missa é celebrada, torna-se presente o Santo Sacrifício do Calvário. Não se trata de algo estático que acontece. É um amor que está se dando. É a carne do Seu Sacrifício. E dá vida para nós.
Não é só aparência de pão ou vinho, ou presença real, é presença em uma ação, em um dinamismo, que está acontecendo, o Sacrifício é tornado presente. É um amor que está se derramando, uma carne viva e pulsante, como os milagres eucarísticos demonstram. Quando o véu da eucaristia é retirado nos milagres eucarísticos, o sangue jorra. É Jesus vivo, seu coração pulsando. No milagre de Lanciano, a ciência constatou que se trata do músculo do coração. Esse coração de Jesus está querendo se relacionar.
Se Jesus tirasse o véu, jorraria o Seu sangue em nossas mãos. Ele o está derramando e está comunicando Sua vida. Não é um banquete como aqueles que se faz em casa. Na última ceia, o sacrifício incruento já está acontecendo.
Todas as graças que aconteceram naquele momento histórico estão acontecendo na Santa Missa. Está ali o amor que é capaz de se dar, de olhar os inimigos e rezar por eles, toda aquela misericórdia está no Corpo e Sangue que recebemos a cada vez. É a vida de Deus acontecendo, um amor à procura de um coração para amar e derramar-se.
É a vida de Deus comunicada naquele momento, entrando em nós. Para que cada um de nós tenha a vida dEle. "Como o Pai que me enviou vive e eu vivo pelo Pai, quem comer a minha carne viverá por mim". Essa vida de Jesus é que vai nos transformando e possibilitando fazer o que precisamos fazer.
Jesus perguntou quem tem maior amor do que Aquele que dá a vida por seus amigos. A Eucaristia é esse amor maior, essa vida se dando. Ela é chamada Sacramento da Comunhão.
Percebemos o que significa participar disso?
O altar é o Santo dos Santos. Só o Sumo Sacerdote entrava uma vez por ano no Santo dos Santos, para o sacrifício pelo pecado. Ao Ministro da Comunhão é dado aproximar-se do Santo dos Santos. Ao fiel, é dado receber Jesus.
A santidade do que acontece em nossos altares não diminui porque Jesus está em nossas mãos. O que temos em nossa mão é um amor vivo, o coração de Jesus vivo e pulsante. A palavra que o padre diz anuncia, e o milagre se realiza. E é Deus, Jesus vivo, ali.
É aí o momento do sacrifício do Calvário.
Participar da Santa Missa é participar do sacrifício de Jesus, oferecendo-se também, como hóstias vivas e espirituais. Aí entendemos o que Jesus nos pede: SANTIDADE. A santidade é amadurecimento desse amor dEle em nós. Estamos recebendo o amor que é mais forte do que a morte e o sofrimento.
D. Van Thuan, preso pelo regime comunista, celebrava a Missa na palma da mão, com uma migalha de pão e gota de vinho, sendo o alumínio do cigarro a sua teca. Ele, assim, recebia a verdadeira vida para viver na prisão. E evangelizou seus carcereiros.
Na ação de graças, Jesus está se relacionando com o comungante, com você. É Seu amor que está agindo, derramando-se lá na cruz. Quantas vezes esquecemos isto. Agimos como se tivéssemos recebido algo, talvez uma presença espiritual. Existe, no entanto, um Deus buscando você, um amor procurando a sua atenção, esperando que você dê atenção a Ele. Quantas situações, angústias, ansiedades podem ser resolvidas nesses momentos.
Nós temos esse Deus Vivo e Verdadeiro, naquele momento que é o maior sinal de todos entre os que Ele fez, o momento em que se dá na cruz.
Temos a graça de poder viver isso em cada Santa Missa. Recebemos o AMOR.
Jesus sabe como você chega, às vezes com o coração fechado e cheio de espinhos. Ele quer se relacionar com você assim também. Seu amor é relacional, é COMUNHÃO.
A Santa Missa é tão sublime, que não suportaríamos aqueles momentos se Deus tirasse o véu. É abismo de amor, de misericórdia. Não tem explicação! Como Jesus, sendo quem é, na Sua majestade infinita, Aquele sem o qual nada do que existe foi feito nem subsiste, está ali, querendo um pouco de atenção, mendigando amor.
A Santa Missa é o que há de maior na Terra, pela ação de Jesus nela. Há um encontro profundo, num amor real e vivo naquele momento.
Como é importante levar isso aos idosos e doentes que não conseguem vir à igreja. Quanta graça é derramada naquele momento. Se você tem misericórdia quando vê o doente, imagine Jesus. Imagine o que Ele pode fazer por aquela pessoa.
Contemple esse Pão que é carne, a vida de Deus que você recebe, o amor que busca você. Participar da Santa Missa é muito mais do que um preceito cumprido. É receber o AMOR VIVO DE DEUS.
Buscando nas Escrituras, encontramos algumas das graças que recebemos no momento da comunhão, em que o Calvário e a cruz estão presentes:
- Satanás é vencido
- A vida imortal é devolvida ao homem
- O pecado é perdoado, desde o de Adão e Eva.
- As forças do mundo se abalam – “a terra tremeu, fenderam-se as rochas”.
- O véu do templo se rasgou.
- O bom ladrão entra no Paraíso.
- A multidão volta batendo no peito em arrependimento.
- No centurião que confessa que Jesus é Filho de Deus, os gentios começam a participar da salvação.
- Do lado aberto nasce a Igreja com os sacramentos.
- A vontade do Pai é realizada pelo homem.
- Muitos justos ressuscitaram.
- A justificação acontece de uma vez por todas.
- O velho homem é crucificado com Jesus.
- Podemos nos oferecer em sacrifício espiritual ao Pai com Jesus.
- Passamos a pertencer ao Senhor, que pagou nosso resgate e cobra a vida de cada um de nós a Satanás, que é obrigado a entregar.
Medite em tudo isto e recorde quando participar da próxima Santa Missa!
Deus abençoe você com sabedoria e compreensão vivas.
Fonte: Palestra de Pe. Miguel Martins Costa no Retiro de Ministros da Sagrada Comunhão na Paróquia São Martinho, em 14 de junho de 2026.



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