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Como estamos vivendo a Santa Missa?

Jo 6, 51

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão, viverá eternamente. E o pão que eu hei de dar é a minha carne para a salvação do mundo.”

Hoje há ideias muito presentes sobre a Santa Missa, como a de que é uma ceia ou um banquete, ou mesmo a ideia da presença real de Jesus. Há, contudo, um mistério central que tem sido esquecido: A Eucaristia não é pão, é a “minha carne”, diz Jesus, “dada para a vida do mundo”.



Quando a Santa Missa é celebrada, torna-se presente o Santo Sacrifício do Calvário. Não se trata de algo estático que acontece. É um amor que está se dando. É a carne do Seu Sacrifício. E dá vida para nós.


Não é só aparência de pão ou vinho, ou presença real, é presença em uma ação, em um dinamismo, que está acontecendo, o Sacrifício é tornado presente. É um amor que está se derramando, uma carne viva e pulsante, como os milagres eucarísticos demonstram. Quando o véu da eucaristia é retirado nos milagres eucarísticos, o sangue jorra. É Jesus vivo, seu coração pulsando. No milagre de Lanciano, a ciência constatou que se trata do músculo do coração. Esse coração de Jesus está querendo se relacionar.

Se Jesus tirasse o véu, jorraria o Seu sangue em nossas mãos. Ele o está derramando e está comunicando Sua vida. Não é um banquete como aqueles que se faz em casa. Na última ceia, o sacrifício incruento já está acontecendo.



Todas as graças que aconteceram naquele momento histórico estão acontecendo na Santa Missa. Está ali o amor que é capaz de se dar, de olhar os inimigos e rezar por eles, toda aquela misericórdia está no Corpo e Sangue que recebemos a cada vez. É a vida de Deus acontecendo, um amor à procura de um coração para amar e derramar-se.


É a vida de Deus comunicada naquele momento, entrando em nós. Para que cada um de nós tenha a vida dEle. "Como o Pai que me enviou vive e eu vivo pelo Pai, quem comer a minha carne viverá por mim". Essa vida de Jesus é que vai nos transformando e possibilitando fazer o que precisamos fazer.



Jesus perguntou quem tem maior amor do que Aquele que dá a vida por seus amigos. A Eucaristia é esse amor maior, essa vida se dando. Ela é chamada Sacramento da Comunhão.


Percebemos o que significa participar disso?



O altar é o Santo dos Santos. Só o Sumo Sacerdote entrava uma vez por ano no Santo dos Santos, para o sacrifício pelo pecado. Ao Ministro da Comunhão é dado aproximar-se do Santo dos Santos. Ao fiel, é dado receber Jesus.



A santidade do que acontece em nossos altares não diminui porque Jesus está em nossas mãos. O que temos em nossa mão é um amor vivo, o coração de Jesus vivo e pulsante. A palavra que o padre diz anuncia, e o milagre se realiza. E é Deus, Jesus vivo, ali.



É aí o momento do sacrifício do Calvário.

Participar da Santa Missa é participar do sacrifício de Jesus, oferecendo-se também, como hóstias vivas e espirituais. Aí entendemos o que Jesus nos pede: SANTIDADE. A santidade é amadurecimento desse amor dEle em nós. Estamos recebendo o amor que é mais forte do que a morte e o sofrimento.



D. Van Thuan, preso pelo regime comunista, celebrava a Missa na palma da mão, com uma migalha de pão e gota de vinho, sendo o alumínio do cigarro a sua teca. Ele, assim, recebia a verdadeira vida para viver na prisão. E evangelizou seus carcereiros.



Na ação de graças, Jesus está se relacionando com o comungante, com você. É Seu amor que está agindo, derramando-se lá na cruz. Quantas vezes esquecemos isto. Agimos como se tivéssemos recebido algo, talvez uma presença espiritual. Existe, no entanto, um Deus buscando você, um amor procurando a sua atenção, esperando que você dê atenção a Ele. Quantas situações, angústias, ansiedades podem ser resolvidas nesses momentos.


Nós temos esse Deus Vivo e Verdadeiro, naquele momento que é o maior sinal de todos entre os que Ele fez, o momento em que se dá na cruz.

Temos a graça de poder viver isso em cada Santa Missa. Recebemos o AMOR.

Jesus sabe como você chega, às vezes com o coração fechado e cheio de espinhos. Ele quer se relacionar com você assim também. Seu amor é relacional, é COMUNHÃO.



A Santa Missa é tão sublime, que não suportaríamos aqueles momentos se Deus tirasse o véu. É abismo de amor, de misericórdia. Não tem explicação! Como Jesus, sendo quem é, na Sua majestade infinita, Aquele sem o qual nada do que existe foi feito nem subsiste, está ali, querendo um pouco de atenção, mendigando amor.



A Santa Missa é o que há de maior na Terra, pela ação de Jesus nela. Há um encontro profundo, num amor real e vivo naquele momento.



Como é importante levar isso aos idosos e doentes que não conseguem vir à igreja. Quanta graça é derramada naquele momento. Se você tem misericórdia quando vê o doente, imagine Jesus. Imagine o que Ele pode fazer por aquela pessoa.



Contemple esse Pão que é carne, a vida de Deus que você recebe, o amor que busca você. Participar da Santa Missa é muito mais do que um preceito cumprido. É receber o AMOR VIVO DE DEUS.


Buscando nas Escrituras, encontramos algumas das graças que recebemos no momento da comunhão, em que o Calvário e a cruz estão presentes:

- Satanás é vencido

- A vida imortal é devolvida ao homem

- O pecado é perdoado, desde o de Adão e Eva.

- As forças do mundo se abalam – “a terra tremeu, fenderam-se as rochas”.

- O véu do templo se rasgou.

- O bom ladrão entra no Paraíso.

- A multidão volta batendo no peito em arrependimento.

- No centurião que confessa que Jesus é Filho de Deus, os gentios começam a participar da salvação.

- Do lado aberto nasce a Igreja com os sacramentos.

- A vontade do Pai é realizada pelo homem.

- Muitos justos ressuscitaram.

- A justificação acontece de uma vez por todas.

- O velho homem é crucificado com Jesus.

- Podemos nos oferecer em sacrifício espiritual ao Pai com Jesus.

- Passamos a pertencer ao Senhor, que pagou nosso resgate e cobra a vida de cada um de nós a Satanás, que é obrigado a entregar.

 

Medite em tudo isto e recorde quando participar da próxima Santa Missa!


Deus abençoe você com sabedoria e compreensão vivas.



Fonte: Palestra de Pe. Miguel Martins Costa no Retiro de Ministros da Sagrada Comunhão na Paróquia São Martinho, em 14 de junho de 2026.


 
 
 

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