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TU ÉS PEDRO (I)



Pedro recebe as chaves da Igreja. Via O Fiel Católico.


Há quase 151 anos, em 18 de julho de 1870, foi promulgada, no Concílio Vaticano I, a Constituição "Pastor Aeternus", com os dois dogmas referentes ao Papa: o Primado e a Infalibilidade.



Quando se fala em dogma, é bom lembrar que a Revelação Divina nos veio pela Sagrada Escritura e pela Tradição, e é interpretada e explicitada pelo Magistério da Igreja, mas terminou com a morte do último apóstolo. Portanto, quando um dogma é definido, a verdade nele contida não está surgindo a partir daquele momento. A Igreja apenas está declarando solenemente aquilo que sempre foi verdadeiro desde a morte do último apóstolo. Por isso o fiel católico precisa crer nos dogmas. E não se pode dar a qualquer um deles um sentido diverso daquele que a Igreja entendeu e entende tal como “uma vez tenha declarado.” (Pio IX, Concílio Vaticano I, Sess. 3, Cap. 4, Cânon 3).

A partir disso, o Papa Pio IX, no Concílio do Vaticano I, Sessão 4, Cap. 4, 1870, deixou explícito:



“[…] o Pontífice Romano, quando pronuncia-se ex cathedra [desde a Cátedra de Pedro], isto é, quando executa o cargo de pastor e professor de todos os cristãos de acordo com a sua suprema autoridade apostólica, [quando] explica uma doutrina de fé ou moral a ser crida pela Igreja Universal, em razão da assistência divina a ele prometida através do bem-aventurado Pedro, opera com aquela infalibilidade com a qual o divino Redentor quis que a Sua Igreja fosse instruída ao definir doutrinas acerca da fé ou moral; e, então, tais definições do Pontífice Romano de si próprio, não do consenso da Igreja, são inalteráveis.” (Denzinger 1839, grifado aqui).


Tendo recordado brevemente essas noções sobre o Papa, quando se aproxima o dia em que a Igreja comemora a solenidade de São Pedro e São Paulo (29/06), queremos rever por que razões o primado do Papa se consolidou desde a Igreja Primitiva, até o ponto de chegar a ser declarado como dogma.



Em 1Cor 15, 3-6, vemos o fundamento histórico naquela profissão de fé na ressurreição de Cristo que Paulo certamente recolheu junto aos Doze, e ele invoca testemunhas:



Antes de tudo vos ensinei aquilo que eu mesmo recebi: "Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Foi visto por Cefas e depois pelos Doze. A seguir foi visto por mais de quinhentos irmãos, de uma só vez, dos quais muitos ainda vivem."


Vê-se que Paulo declara que esse fato da ressurreição foi visto, em primeiro lugar, por Cefas, a “Rocha”. Depois, pelos Onze e por centenas de testemunhas, de uma só vez. Testemunhas que ainda podiam ser inquiridas, pois muitas ainda viviam, quando ele remeteu a carta aos Coríntios. Poderia ter falado apenas no testemunho dos apóstolos, de modo genérico. Mas destacou Pedro, porque o Senhor o destacara, revelando-se primeiro a ele. A Pedro cabia o primado.



Na Carta aos Gálatas, Paulo reconhece explicitamente essa posição primacial de Pedro:



Fui a Jerusalém para ver Pedro e permaneci junto a ele quinze dias (Gl l,18).

Teve a necessidade interior de conhecer, pessoalmente, aquele que o Senhor designara, entre os Doze, como rocha da confirmação e da unidade. E Paulo, apesar de estar escrevendo ou ditando em grego, quis conservar o termo aramaico para denominar Pedro: Pedro é Cefas, a “Pedra”, a “Rocha” da promessa.



Já Lucas nos narra os últimos avisos do Senhor antes da morte, no cap. 22,32. Os apóstolos seriam “joeirados” por Satanás. Mas o mandato a Pedro é garantia e raiz da esperança contra isso:


Eu roguei por ti para que a tua fé não falte. Tu, uma vez convertido, confirma teus irmãos.


Esta passagem reúne o fato do primado ao seu profundo conteúdo. “Confirmar os irmãos” será missão de Pedro.



João também atesta a ratificação daquele mandato, após a ressurreição, mostrando que o Senhor tornou pública a conversão de Pedro e lhe ratificou o primado:


Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? [...] Senhor, Tu sabes que eu Te amo [...] Apascenta meus cordeiros [...] Apascenta minhas ovelhas (Jo 21,15-17).


Pedro, em sua fragilidade, recebeu um mandato que só pela força da promessa do Senhor poderia desempenhar, uma missão que vai muito além dele e que é um dom à Igreja toda e para sempre. Um serviço que é doação até ao sangue.



Aliás, em João 1, 42, quando Pedro foi apresentado a Jesus, já lhe foi preanunciada a missão: “Fixando nele o olhar , o Senhor disse: ‘Tu és Simão, filho de Jonas. Cefas será o teu nome”.



Por outro lado, nos Evangelhos sinóticos, é sempre Pedro quem toma a palavra para se dirigir ao Senhor em nome dos Doze. A ponto de Marcos e Lucas identificarem os demais Apóstolos como os “companheiros” de Pedro (Mc 1,36; Lc 6,14-16). Mateus, ao relacionar os Doze, assinala: “O primeiro é Simão, que se chama Pedro” (Mt 10,2).



Nos Atos dos Apóstolos, a posição única de Pedro está presente reiteradamente. Vê-se isto desde a eleição de Matias para o lugar de Judas (1,15-26), quando Lucas identifica o Colégio dos Apóstolos como “Pedro e os Onze” ou “Pedro e os outros” (1,13; 2,37). Pedro é apresentado como a voz de todos: “Pedro, de pé com os Onze, ergueu a voz” (2,14). Os Atos ainda nos informam que os prodígios mais marcantes, após Pentecostes, aconteceram por intermédio de Pedro (3, 1-6; 9,36). E contam que foi Pedro quem abriu a Igreja aos outros povos (10,1-8; 44,48).



Portanto, é impossível ler o Novo Testamento sem tomar conhecimento do fato da primazia de Pedro.



Mas é verdade que muitos estudiosos e membros de outras religiões questionam o conteúdo dessa primazia e sua projeção (sucessão) no tempo.



Sobre esse assunto trataremos numa próxima postagem.

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