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O Espírito Santo está na bíblia?

Atualizado: 30 de mai.



No século IV, a Igreja Católica lutou contra uma heresia conhecida como macedonismo, oriunda de Macedônio, que fora bispo de Constantinopla, e negava a plena divindade do Espírito Santo. Ao invés, o Espírito seria um ser criado, ocupando um papel inferior ao Pai e ao Filho. Esses ensinamentos foram desafiados por figuras como Santo Atanásio de Alexandria e São Basílio de Cesaréia. 

 

No Concílio de Constantinopla, em 381 d.C., a heresia foi formalmente condenada. O Concílio esclareceu que o Espírito Santo é verdadeiramente Deus, procedente do Pai e do Filho, e adorado e glorificado juntamente com eles. E isto foi para o Credo Niceno-Constantinopolitano.


 

A Igreja é muito clara, portanto, na defesa da divindade do Espírito Santo. Mas esta sua fé está na Sagrada Escritura? 


 

Sim. 

 


A Bíblia não apenas usa explicitamente a expressão “Espírito Santo” (em grego, pneuma to hagion) em João 14:26, mas também afirma, em múltiplas ocasiões, que este Espírito é de fato Deus.

 


Vejamos alguns exemplos.



1. São Paulo pergunta aos coríntios, em 1 Coríntios 6:19: “Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que está dentro de vós, o qual tendes da parte de Deus?” Como salientaram São Tomás de Aquino e outros, esta é uma prova segura de que Paulo reconhecia a divindade do Espírito. Por que? Porque só Deus pode habitar num templo! Portanto, se nossos corpos são templos e se o Espírito Santo reside neles, então o Espírito Santo deve ser Deus.

 


2. No capítulo 5 dos Atos dos Apóstolos, quando Ananias e Safira vendem uma propriedade e depois fingem oferecer todos os lucros aos apóstolos, enquanto retém desonestamente parte dos lucros para si mesmos, ciente do que aconteceu, Pedro desafia Ananias com estas palavras: “Por que Satanás encheu o vosso coração para mentir ao Espírito Santo e reter parte dos rendimentos da terra? …Você não mentiu aos homens, mas a Deus” (vv. 3-4). Aqui Pedro equipara muito claramente o Espírito Santo a Deus; ao mentir ao Espírito Santo, Ananias mentiu ao próprio Deus.


 

3.  Jo 15, 26: 26Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. 27Também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio.”


 

4. Jo 16, 7-14: 7Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei. 8E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo.

 


5. Jo 16, 13-14: 13Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ele vos ensinará toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e vos anunciará as coisas que virão. 14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.

 


Essas afirmações de Jesus mostram que o Espírito Santo é claramente pessoal. Ele “convence do pecado”, “ensina” a verdade, “fala”, “declara coisas que estão por vir”, etc. Não há dúvida quanto à pessoa do Espírito Santo nesses textos.

 


Mas vamos olhar para mais alguns exemplos.

 


6. A Bíblia une claramente as Três Pessoas da Trindade numa só. Vemos isso no Grande Envio no final do Evangelho de Mateus, quando Jesus diz aos Seus seguidores: “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo ”(Mateus 28:19).


 

7. Paulo menciona características do Espírito que são de uma pessoa: ele é onisciente, por exemplo: I Corinthians 2:11: 11Pois quem conhe­ce as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.

 


8. O Espírito Santo é mais uma vez revelado como sinônimo do próprio Deus em Hebreus 10:15-17: 15É o que nos confirma o testemunho do Espírito Santo. Depois de ter dito: 16Eis a aliança que, depois daqueles dias, farei com eles – oráculo do Senhor: imprimirei as minhas leis nos seus corações e as escreverei no seu espírito, 17acrescenta: dos seus pecados e das suas iniquidades já não mais me lembrarei (Jr 31,33s).

 


O Espírito Santo é revelado aqui como sendo tanto uma pessoa quanto divino. Ele é descrito como “dando testemunho”, “estabelecendo uma aliança”, é referido como “o Senhor”, “coloca [suas] leis em [nossos] corações” e até perdoa pecados. 

 


Além disso, em momentos decisivos da vida de Jesus, observamos a revelação da glória trinitária de Deus. No batismo no rio Jordão, por exemplo, vemos Jesus acompanhado pela voz do Pai e pela presença da pomba, simbolizando o Espírito. Da mesma forma, na transfiguração temos novamente o Filho e a voz do Pai, e desta vez o Espírito se dá a conhecer sob a aparência de uma nuvem.

 


Também no Antigo Testamento o Espírito estava nos primeiros versículos de Gênesis, “movendo-se sobre a face das águas” (Gn 1:2). Mas o Pai e o Espírito não estavam sozinhos, pois São Paulo recorda-nos que o Filho também estava presente no momento da criação: «todas as coisas foram criadas por meio dele e para ele» (Cl 1,16). 


 

Portanto, desde o início dos tempos e por toda a eternidade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo estão unidos em substância e amor: três Pessoas Divinas em uma Divindade eterna.

 

 

Todo católico deve saber que, quando recita o Credo Niceno, está professando de forma clara e concisa exatamente o que vemos nas Escrituras: O Espírito Santo é verdadeiramente “o Senhor e Doador da Vida”.

 


Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado. E renovareis a face da Terra.

 

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