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A HISTÓRIA DO SANTO ROSÁRIO

Atualizado: 21 de out. de 2021


O mês de outubro, na Igreja no Brasil, é dedicado às Santas Missões e ao Santo Rosário. Hoje queremos olhar para o Rosário de Nossa Senhora.



A ênfase deste mês ao Rosário quer ser um convite a todos para refletir sobre os mistérios de Cristo, na companhia da Virgem Maria, que foi associada de forma especial à encarnação, paixão e ressurreição do Senhor. O Rosário é, antes de tudo, um caminho de contemplação, pois nos educa à contemplação dos mistérios de Cristo, nos ajuda a santificarmos nossas vida e nos impulsiona à missão evangelizadora. Maria, assim que se viu esperando o Filho de Deus, partiu para as montanhas de Judá, para visitar e ajudar sua prima Isabel, levando no seio Aquele que veio como “Missionário do Pai”.



Maria viveu com os olhos fixos em Cristo e guardava cada palavra: “Conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração” (Lc 2, 19.51). As recordações de Jesus, estampadas na sua alma, acompanharam-na em cada circunstância, levando-a a percorrer com o pensamento os vários momentos da sua vida junto com o Filho. Através da meditação dessas recordações, Maria como que recitou o “rosário” constantemente nos dias da sua vida terrena (João Paulo II, Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, 11).



Trata-se de uma devoção que levou séculos até chegar à forma que tem hoje.

O nome “Rosário” tem por origem uma prática dos gregos e romanos, que coroavam as imagens dos seus deuses com rosas, para simbolizar que estavam ofertando seus corações. A palavra “rosário” significa “coroa de rosas”.



Posteriormente, as mulheres cristãs que eram martirizadas no Coliseu de Roma usavam coroas de rosas nas suas cabeças, como símbolo da alegria e da entrega dos seus corações ao irem ao encontro de Deus. À noite, os cristãos recolhiam essas rosas, e rezavam uma oração ou um salmo pelo descanso eterno dos mártires.



Como os israelitas rezavam os salmos, também os cristãos procuravam manter essa prática. No início, oriundos do judaísmo, sabiam os salmos de cor. Com o passar do tempo, as pessoas que não conheciam os salmos e não sabiam ler, não conseguiam rezar este rosário dos 150 salmos.



O povo católico sentia a importância e a experiência da oração, e também queria muito honrar de alguma maneira a Mãe de Deus. A oração mais antiga de que se tem notícia, dirigida a Maria, é: “À vossa proteção nos recorremos, Santa Mãe de Deus”.

Segundo a história, por volta do ano 600 d.C., começou a ser rezada a Ave Maria, em sua primeira parte: das saudações do Arcanjo Gabriel e da prima Isabel, mãe de João Batista.

A Igreja, então, sugeriu que aqueles que não sabiam ler substituíssem os salmos por 150 Ave Marias, divididas em quinze dezenas. Era o “rosário curto”, conhecido como “o saltério da Virgem”.



Há notícias de que, no século IX, na Irlanda, já havia o hábito de amarrar nós a uma corda para contar as 150 Aves. Entre os séculos X e XI, acrescentou-se “Jesus” ao final da oração. No século XIII, surgiu a segunda parte da Ave-Maria, junto com o terço.



Um sacerdote espanhol, Domingos de Gusmão (1170-1221), fundador da ordem dos dominicanos ou pregadores, a certa altura de sua vida foi para a França, defender a fé contra a heresia albigense. São Domingos não estava conseguindo muitos frutos nessa luta. Conta uma tradição que, em 1208, São Domingos chorava, rezava e suplicava que Nossa Senhora mostrasse uma arma espiritual eficaz para vencer aquela batalha. Após 3 dias de oração, Nossa Senhora apareceu-lhe, acompanhada de três anjos, e disse-lhe: - Querido Domingos, você sabe qual é a arma que a Santíssima Trindade quer usar para mudar o mundo? A resposta de São Domingos foi que ela sabia melhor que ele. Então Nossa Senhora lhe disse: - Quero que saiba que, neste tipo de guerra, a arma sempre foi o Saltério Angélico, que é a pedra fundamental do Novo Testamento (as palavras do Arcanjo Gabriel na Anunciação desencadearam a encarnação de Jesus e toda a Sua missão). Portanto, continuou a Virgem: - se você quer converter estas almas endurecidas e ganhá-las para Deus, difunda o meu saltério.



Nesse momento, Nossa Senhora mostrou o terço para São Domingos, com as 50 Ave-Marias, que passou a ser conhecido como Saltério da Bem-Aventurada Virgem Maria. O santo começou a espalhar esta devoção, tão acolhida pelos fiéis que não sabiam ler e queriam imitar os monges, os quais recitavam os 150 Salmos do Antigo Testamento.



No século XV, depois de ter diminuído a oração do Rosário pelo povo, Nossa Senhora apareceu ao beato Alano de Rupe (1428-1475), também dominicano, pedindo-lhe para avivá-la novamente. Alano criou os grupos de 50 Ave-Marias, os chamados Mistérios do Terço: Gozosos, Dolorosos e Gloriosos, acrescentando a oração do Pai Nosso no início de cada dezena. Era o Rosário como nós conhecemos até 2002. Nesse ano, o Papa, São João Paulo II, acrescentou a esses os Mistérios Luminosos, escrevendo a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae e proclamando um ano do Rosário. Disse o Pontífice:


“O Rosário, de fato, ainda que caracterizado pela sua fisionomia mariana, no seu âmago é oração cristológica. Na sobriedade dos seus elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica, da qual é quase um compêndio [termo usado por Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis cultus, 02.02.1974]. [...] Com ele, o povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do seu amor.”


Em 1571, a Igreja passou a celebrar o dia de Nossa Senhora da Vitória. Avançavam os mouros na Europa e Juan de Áustria estava comandando a defesa cristã. A esquadra adversária era-lhe superior. Dois anos antes, o Papa publicara um documento (Carta Breve Consueverunt), no qual pedia aos católicos que rezassem o Rosário, pois via nele um presságio da vitória. O combate entre cristãos e mouros durou apenas um dia, com a vitória dos primeiros. Relata-se que Nossa Senhora comunicou a Pio V, que estava em Roma, a boa notícia. E ele instituiu uma festa em honra da Mãe, convencido de que a recitação do Rosário nos dois anos anteriores, por tantos fiéis, levara os católicos a vencerem a batalha decisiva para o cristianismo. O Rosário passou a ser conhecido como “arma poderosa”, a arma por excelência dos católicos para vencerem todos os inimigos, a “arma da Celeste Comandante”.



Em 1573, o Papa Gregório XIII mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário, e determinou que fosse celebrada no primeiro domingo de outubro. Em 1913, passou a 7 de outubro.



O Rosário foi ainda mais difundido após as aparições de Lourdes, em que a Virgem recomendou a Bernadete Soubirous muita oração, através dessa recitação.



Na primeira aparição de Fátima, Nossa Senhora confirmou a força do terço, falando aos pastorinhos: “ Rezai o Rosário todos os dias para obter a paz do mundo e para terminar a guerra”.



Como vemos, o Rosário, hoje, compõe-se de quatro terços, em que se contemplam os mistérios da vida de Jesus e são os seguintes:



1. Mistérios Gozosos: da alegria que irradia do acontecimento da Encarnação.

2. Mistérios Luminosos: da luz que é o Cristo (Jo 8, 12), e que Ele espalha pelo mundo no Seu ministério público.

3. Mistérios Dolorosos: das dores que Cristo sofreu, com o ápice na Sua Morte, revelação do amor e fonte da nossa salvação.

4. Mistérios Gloriosos: da certeza de fé de que o Senhor ressuscitou e está conosco todos os dias, um convite aos fiéis a fixarem o olhar na glória de Cristo e na futura ressurreição e glória.



Fica o convite a rezarmos o terço diariamente. Quem contempla Cristo, percorrendo as etapas da sua vida, não pode deixar de aprender dEle a verdade sobre o ser humano, ver a meta para a qual cada um de nós é chamado, se se deixa curar e transfigurar pelo Espírito Santo, e entregar os tantos cuidados que todos têm aos corações misericordiosos de Cristo e da sua Mãe. Pode-se dizer, portanto, que cada mistério do Rosário, bem meditado, ilumina o mistério do homem, cujo fim é a comunhão com a Santíssima Trindade, destino e aspiração da nossa existência (Rosarium Virginis Mariae).



Deus abençoe você!

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