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É Quaresma novamente! Mensagem do Papa Francisco.


Nesta Quarta-feira de Cinzas, iniciamos um novo tempo favorável de renovação pessoal e comunitária.



A mensagem do Papa Francisco para esta Quaresma foi dada em 11 de novembro de 2021, na Memória litúrgica de São Martinho, nosso padroeiro. Podemos ter por certo que ele nos guiará para não nos desviarmos da exortação que nos faz o “Pedro de hoje”.



A mensagem nos conduz à Carta de São Paulo aos Gálatas, cap. 6, vv. 9-10a:


“Não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos”.


Francisco assinala que, utilizando a imagem da semeadura e da colheita, Paulo fala de um kairós, um tempo propício para semear o bem, que será colhido no futuro. Esse tempo nos convida à conversão, a mudar nossa mentalidade, orientando a vida para a verdade e a beleza de doar, de semear o bem e partilhá-lo. O primeiro agricultor é o próprio Deus. Precisamos aproveitar esse tempo para responder aos Seus dons, sementes que Ele espalha em nosso caminho. É assim que tornamos fecunda a nossa vida, como Seus cooperadores no bem. “Quem semeia com generosidade, com generosidade também colherá” (2 Cor 9, 6).



Então o Papa observa que, desde os gestos mais insignificantes de bondade até as nossas generosas fadigas, nada se perde. A vida repleta de obras boas é luminosa ( Mt 5, 14-16), difunde pelo mundo o perfume de Cristo (2 Cor 2, 15) e colabora com a salvação de todos, mesmo que não o vejamos. “Semear o bem para os outros liberta-nos das lógicas mesquinhas do lucro pessoal e confere à nossa atividade a respiração ampla da gratuidade, inserindo-nos no horizonte maravilhoso dos desígnios benfazejos de Deus”, cuja colheita mais autêntica é a do último dia, o dia sem ocaso, diz Francisco.



O Papa lembra que Deus dá forças ao cansado, enche de vigor o fraco e aqueles que confiam no Senhor renovam as suas forças, correm sem se cansar nem desfalecer (Is 40, 29.31). A ressurreição de Cristo, a que o caminho da Quaresma nos dirige, é a nossa esperança, em meio a tantas inquietações com os desafios a enfrentar e a tentação de nos fecharmos num egoísmo individualista e na indiferença aos sofrimentos alheios.



Qual deve ser, então, o nosso caminho quaresmal? Francisco coloca alguns pontos.



Não nos cansemos de rezar, porque necessitamos de Deus. A fé não nos preserva das tribulações da vida, mas permite atravessá-las unidos a Deus em Cristo, com a grande esperança que não desilude, e cujo penhor é o amor que Deus derramou nos nossos corações por meio do Espírito Santo (Rm 5, 1-5).



Não nos cansemos de extirpar o mal da nossa vida, fortalecendo-nos na luta contra o pecado com o jejum corporal.



Não nos cansemos de pedir perdão no sacramento da reconciliação, sabendo que Deus nunca se cansa de perdoar.



Não nos cansemos de combater a concupiscência, que inclina para o egoísmo e todo o mal, que encontra vias diferentes em cada século para precipitar o homem no pecado. Uma destas vias é a dependência dos meios de comunicação digitais, que empobrece as relações humanas. Cultivemos, nesta Quaresma, uma comunicação humana mais integral, feita de encontros reais, face a face.



Não nos cansemos de fazer o bem, em uma caridade operosa para com o próximo, pela prática da esmola, dando com alegria, pois Deus provê os recursos necessários para nos nutrirmos e ainda ser generosos para com os outros. Cuidemos de quem está próximo de nós, irmãos e irmãs feridos na margem da estrada da vida, que desejam atenção e uma boa palavra. Visitemos quem sofre solidão. Reservemos tempo para amar os pequenos e indefesos, os abandonados e desprezados, os discriminados e marginalizados.



O bem é conquistado cada dia, afirma Francisco. Por isso, peçamos a Deus a constância paciente do agricultor para não desistir. Quem cai, não demore a voltar para Deus, na comunhão da Igreja.



O jejum prepara o terreno, a oração rega, a caridade fecunda-o. Na fé, temos a certeza de que “a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido”, e obteremos, com o dom da perseverança, os bens prometidos (Hb 10, 36) para salvação nossa e do próximo (1 Tm 4, 16). É assim que estamos unidos a Cristo, que deu a Sua vida por nós, e saboreamos desde já a alegria do Reino dos Céus.



Que a Virgem Maria que nos obtenha o dom da paciência e nos acompanhe com a sua presença materna, para que este tempo de conversão dê frutos de salvação eterna, conclui Francisco.



São Martinho, rogai por nós!

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